o novembro é negro
mas todo dia é dia de preto
que diferente de mim
mulata
cafusa
que precisa ter sempre prumas
de felicidade
moro no porto
subo e desço o meu morro
e muitas vezes morro
levo as correntes dessa sociedade e peço que me esqueça
pra uma tal esquizofrenia do imaginário coletivo me escuta e me perca
"aaah aí sim hein"
mas mesmo assim vou a festa
e o meu sorriso precisa estar sempre do queixo a testa
e quem tem a pele mais escura
procura
um meio de viver melhor a cada dia
a cada corrida que travamos pra longe do que indigna
que incita
e exercita
o pega ratão
que no meio da confusão
que é ser geneticamente desaprovado
bate um coração
que faz a manutenção de uma história que é oral e precisa de memória
que quando negro não tem emprego
fica sem sossego
e vai vadiar
mas não pode não
porque há explosão
e o ziguizague
o traficante lá do morro diz: se arme
pro piá
e o sabiá que sabia
agora só sabe que nada sabe
bate o sinal da escola
e encaixotados nessa cultura somos levados a demoralizar o que resta
então...
espera...
relaxa em meio ao caos
e escuta a vó
que é mãe duas vezes
liga a tv e fica com a família
porque mesmo depois dessas realidades vão dizer que o teu consumo são as novas correntes
quando senzala tenta meramente copiar a Casa Grande tudo fica meio alienado
mas no extrato
ta pobre estratificado que já foi traficado
"bem dotado"
em meio ao caos
somos apenas paus
"princesinha de vagina rosada"
valorizam a solidão da mulher negra para que a ideia do projeto de construção de famílias pretas seja encerrada
e esses são os resquícios que apontam que os casos de 1888 ainda não foram solucionados
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